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A biografia de Austricliano Lecine Laranjeira


MEMÓRIA DE MARAGOGIPE

Por Carlos Laranjeira
Colunista

Cara legal foi Austricliano Lecine Laranjeira, o Austric, também conhecido como Nousinho. Viveu até o início da década 2000 e quem o conheceu em Maragogipe certamente não se arrependeu, dele não se queixou, não reclamou nem teve desgosto.

Irmão de Jahvé Laranjeira, nasceu no Porto Grande. Sabia contar uma mentira com um procedimento sincero tão imenso, refletido na fisionomia, que não havia quem não lhe acreditasse ou lhe desse crédito. Ou o escutasse até o fim da conversa.

Foi, sem margem de erros, o rapaz que mais namorou em Maragogipe entre os anos 50 e 60. Atraía as moças com um corpo esbelto e uma conversa sutil, mas afiada.

Raramente discordava de mulher, dava demasiada atenção às pessoas, não fumava na presença dos pais, Manoel Lucas Laranjeira, o “seu” Bibi e dona Cósmea. Com ele, a minha amizade foi ilimitada, superior a que eu tinha com meu irmão, Xaxá.

Também, nossas casas eram separadas por uma parede. Ainda muito jovem, foi coroinha e na missa da Festa de São Bartolomeu, às 5 horas da manhã, minha mãe me entregava aos seus cuidados e subíamos juntos, do Porto até a Igreja Matriz, onde eu escutava com religiosa atenção o sermão do Padre Sadock, cuja capacidade de falar com facilidade revelava-se num eficaz instrumento para edificar e fortalecer a fé nos ouvintes.

Austricliano, ou Austric, fez o curso ginasial no Ginásio Simões Filho e a Câmara de Vereadores o acolheu como assessor. À época, a Câmara funcionava ao lado do gabinete do prefeito no antigo edifício do Paço Municipal e Austric caminhava em direção à Câmara em traje de paletó e gravata fina, duas vezes na semana, em dias de sessões, para auxiliar os vereadores. Nessa época, comecei a dar cobertura jornalística à Câmara para o JORNAL DA BAHIA, do qual era o correspondente em Maragogipe.

Não havia dia ou noite em que não saíamos juntos de casa, e no retorno sentávamos à porta da casa para mais uma vez palestrar: ele me fazia suas confidências, eu lhe revelava pensamentos de minha intimidade. Casou-se, gerou uma filha, depois me transferi para São Paulo, a distância entre a Bahia e São Paulo nos afastou, mas diretor do Departamento de Imprensa e Relações Públicas da Prefeitura de São Bernardo resolvi passar um carnaval em Maragogipe e aproveitei um telefonema seu para indagar se podia me conduzir, do aeroporto em Salvador a Maragogipe. Ele foi com o irmão, Jahvé, buscar-me, dormimos em seu apartamento em Itapoã e, no sábado pela manhã, seguimos em direção a Maragogipe. Austric deixou o irmão no bairro das Palmeiras e fomos para o Porto, ao estacionar o carro em sua porta, presenciei uma cena que permanece viva como uma chama na memória:

Ao vê-lo, “seu” Bibi, o pai, levantou-se da cadeira e dirigiu-se em passos largos ao seu encontro. Na porta da rua, os dois reencontraram-se num demorado abraço, no qual as energias de um pareciam comunicar-se com as do outro. Ao observá-los com mais cuidado, notei lágrimas a descer das pálpebras do pai e do filho como numa grande celebração à vida.

A sua morte prematura repercutiu e o nosso primo, Antônio José Laranjeira, celebrado colunista social de Feira de Santana, telefonou-me e disse:

"Eu gostava tanto dele!"

Você só, Antônio José?

Carlos Laranjeira é jornalista.

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