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Sátira das Profissões, um documento egípcio que valoriza o escriba

Este é um trabalho de Pesquisa do Documento "Sátira das Profissões" escrito egípcios que contém incômodos existentes em cada tipo de trabalho, assim como a valorização do Escriba enquanto profissional. A leitura deste documento demonstra que a atividade intelectual era valorizada no Egito Antigo, muito diferente das atividades braçais que são classificadas de maneira grosseira pelo escritor do documento.

O tema é curioso. É a história de um pai Khéti que conduz o filho adolescente Pépi para a escola de escribas da Corte por ser, segundo ele, a mais importante das profissões e durante a viagem da barca resolve comparar vários ofícios.

Figura retirada do jogo Faraó, feito pela Sierra e sob licença da VU Games.

Quais são as profissões do texto?
As profissões descritas no texto são Ferreiro, Marceneiro, Joalheiro, Barbeiro, Colhedor de Papiro ou de Junco (que na verdade ele colhe o junco para daí fazer o papiro), Oleiro, Pedreiro, Carpinteiro, Hortelão, Lavrador, Tecelão, Porteiro, Faz (ponta de) flecha (armeiro), Pastores, Mensageiro, Encarregado da fornalha, Sapateiro, Lavadeiro, Passarinheiro, Pescador, Escriba e Camponês.

Como eram que eles se classificavam socialmente?
Em primeiro lugar percebemos que há uma mobilidade social (não era um sistema rígido igual ao sistema de castas), por isso um pai escreveu esta carta para o filho na intenção dele querer ser escriba e não outra profissão qualquer.

“Eis que não há profissão sem chefe, exceto a do escriba: ele é seu chefe.” Através dessa frase, percebemos que existem os que mandam (no caso, Escriba) e os que são mandados (no caso, outras profissões).

Em todo o texto percebe-se que tem chefe, ou seja, as outras profissões são sofredores; são explorados; devem obediência, se não são punidos com castigo corporal, ficam presos e são humilhados; são expostos a qualquer tipo de trabalho e em qualquer lugar; são comparados a animais; são comparados às mulheres; não são considerados seres humanos. Veja algumas frases.
  • “Atente para isso, não se pode chamar um camponês de ser humano.” não são considerados seres humanos
  • “é mais desventurado que uma mulher.” são comparados às mulheres
  • “Se ficar um dia sem tecer, leva cinqüenta açoites.” são punidos com castigo corporal
  • “Tem de subornar o porteiro com comida para que este deixe ver a luz do dia.” ficam presos
  • “o trabalho árduo é com freqüência é triplicado.” são explorados
  • “seus dedos parecem garras de crocodilos e fedem a ovas de peixe.” são comparados a animais
  • “como uma abelha (só) come o quanto trabalha.” são comparados a animais
  • “chafurda na lama mais que um porco” são comparados a animais
  • “Mas a comida que dá à sua família não basta para os filhos.” Eles sofrem
  • “lamuria-se mais que galinha d’angola e grita mais alto que um corvo” são comparados a animais

No final do texto percebe-se que: Segundo o autor os escribas são seus próprios chefes e chefiam os subordinados inferiores, ou seja, as outras profissões, mas onde fica o poder do Faraó? O Faraó é quem realmente mandava no Egito, inclusive, no próprio escriba. Mas, por que os escribas mandavam? Por que eles sabiam ler e escrever, por isso, eram os únicos habilitados a desempenhar esse tipo de cargo, percebe-se no texto “(pois) um dia (que seja) na escola, será proveitoso para ti” eles se qualificavam entes de desempenhar a função, além disso, eles participavam tanto das atividades da sociedade, quanto das do governo.

Todos os que são mandados são camponeses. “Atenta para isso, não se pode chamar um camponês de ser humano.” Está expresso nesta frase.

O que é produzido pelos escribas é duradouro percebe-se em “Suas obras duram como as montanhas.” Enquanto a dos outros não são, por este motivo, ele é valorizado.

O texto Sátira das Profissões em sua forma integral localiza-se no Papiro Sallier II (Museu Britânico 10182) e parcialmente no Papiro Anastasi VII (Museu Britânico 10222), ambos da 19ª dinastia. Existem trechos preservados numa tábula (louvre 693) e no Papiro Amherst (Biblioteca Pierpont Morgan, Nova York), da 18ª dinastia, assim como no Papiro Chester Beatty XIX (Museu Britânico 10699) e em mais duas centenas de óstracos da 19ª dinastia. Acredita-se que o original data-se da 12ª dinastia.

Referência Bibliográfica:
Tradução em ARAÚJO, E Escrito para a eternidade: a literatura no Egito faraônico. Brasília: Editora da UnB, 2000, p. 220-223.

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