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UFRB faz Mapeamento Arqueológico do Recôncavo

DO BLOG: Em si tratando de arqueologia na Bahia, e no Recôncavo Baiano, este é um livro (ebook) que não pode faltar nos arquivos dos historiadores que pesquisam e estudam a história desta região. Acredito que também, pode muito bem ser usado pelos estudantes de ensino médio de ensino. A UFRB acertou em cheio com esta produção que foca nos municípios de Cachoeira e São Félix, e com menor índice em Maragogipe, Cruz das Almas e Conceição de Feira

Aliás, não podemos deixar de tratar de uma questão esboçada no livro com muita propriedade. Porque  e como mapear os sítios arqueológicos? Esta é uma questão respondida pelo livro e que com muita clareza, inicia o interessado por este tipo de leitura, nos mais diversos aspectos e características da arqueologia. A questão da preservação patrimonial e da responsabilidade sócio-cultural também é ressaltada.

Recomendamos esta leitura.

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APRESENTAÇÃO DO LIVRO
Vários aspectos devem ser destacados neste trabalho de mapeamento de sítios. Primeiramente, sobressai o caráter pedagógico, pautado na premissa que na educação da população reside o sucesso da preservação e boa gestão dos bens coletivos, como são os arqueológicos. Por isso, houve especial atenção em que participassem as comunidades escolares na identificação dos locais com remanescentes materiais dos grupos sociais pretéritos. Decisão justa se se pensa estimular o conhecimento histórico através dos documentos arqueológicos disponíveis na região. O primeiro passo foi então ensinar aos escolares e professores como se reconhecem os vestígios físicos do passado, nesses municípios do Recôncavo. Para isto, a ação inicial foi preparar uma cartilha de apoio, distribuída em várias partes dos municípios, especialmente nas escolas. O efeito foi exatamente o esperado.

Didático também foi o objetivo do trabalho realizado com estudantes do curso de Museologia, bolsistas de iniciação científica, que receberam a oportunidade ímpar de aplicar os conhecimentos apresentados na sala de aulas e, igualmente importante, tiveram de dialogar com pessoas com graus diferentes de instrução, procurando a sensibilização e cooperação no levantamento de informações. Ou seja, testaram-se como pesquisadores educadores no ato de contatar as populações distantes da produção acadêmica e transmitir as informações sobre o significado histórico dos sítios.

Os segundo grande aspecto a ser ressaltado neste trabalho refere-se aos aportes para o reconhecimento do potencial arqueológico dessa região do Recôncavo. A iniciativa de mapear, isto é, identificar, localizar no espaço, caracterizar, classificar, registrar por vários meios, filiar culturalmente e, por fim, incorporar todos esses dados em uma base informatizada sobre sítios é de extrema importância para dar começo a qualquer trabalho de pesquisa stricto sensu. Conhecer numericamente o universo de sítios e, ainda, a natureza dos mesmos serve para efetuar estatísticas, separar amostragens e estabelecer linhas de atuação, por exemplo, para preparação de programas de investigação com recortes temáticos. Em resumo, o sentido principal de todo mapeamento de sítios consiste em construir um corpo de dados gerais sobre o qual se debruçar para definir programas amplos ou projetos específicos, assim como estabelecer prioridades conforme o interesse de cada pesquisador.

Por outro lado, mapear deve também contemplar, impreterivelmente, a averiguação sobre o estado de conservação dos sítios, da forma em que este trabalho o fez. Esta avaliação preliminar pode determinar intervenções de urgência ou, então, promover ações que mitiguem o desgaste e deterioro de locais com vestígios, podendo dar subsídios para convocar o IPAC e o IPHAN órgãos públicos, estadual e federal respectivamente, destinados à preservação patrimonial.

No Estado da Bahia houve várias experiências de mapeamento, com procedimentos, objetivos e alcances diversos. Não poderia deixar de ser lembrado o mapeamento efetuado por Valentin Calderón, nas décadas de 60 e 70, pioneiro neste tipo de inventário, que atuou em distintas partes do território baiano, localizando sítios pré-coloniais e que com a caracterização da cerâmica ou do material lítico determinou filiações culturais que ajudaram a organizar o até então desconhecido universo indígena anterior à chegada dos portugueses.

Entre 1998 e 2001, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizaram um levantamento de sítios no litoral sul baiano, especificamente em Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália e no Recôncavo, centraram-se na região em torno do município de Jaguaripe. No mapeamento dessas duas regiões foram considerados locais com vestígios dos períodos pré-colonial, colonial e pós-colonial para completar, do ponto de vista arqueológico, todo o continuum histórico. Além de novos dados sobre a ocupação humana nessa região, essa pesquisa permitiu levantar algumas hipóteses acerca dos específicos processos em que se viram envolvidos grupos indígenas e povoadores colonizadores, nesses territórios.

Em outro projeto de mapeamento efetuado entre os anos 2003 e 2004, ainda pela equipe da UFBA, nos municípios de Cachoeira e São Félix, os sítios arqueológicos formavam parte de um universo mais amplo de registro. De fato, nesse projeto considerou-se o conjunto de manifestações culturais tangíveis e intangíveis ocorrentes nos territórios urbanos e rurais de ambos os municípios. Esta proposta trazia implícita, sem dúvida, uma nova percepção acerca dos locais com remanescentes materiais de grupos sociais passados, considerando-os como marcos temporais e sociais de extrema importância para a existência dos grupos atuais.

Hoje, o trabalho de mapeamento coordenado pelo Professor Luydy Fernandes chega muito oportunamente para iniciar o processo de composição do panorama social em diferentes momentos históricos, em dois municípios do Recôncavo baiano que são de grande importância para a dinâmica da história baiana, como são os de Cachoeira e São Félix. Contudo, como o próprio Fernandes aponta, este é o início da atividade de identificação de sítios, que deverá prosseguir para aumentar o número de informações em detalhes. Ou seja, o quadro atual, publicado nesta obra, constitui uma base sobre a qual deverão ser continuadas as atividades de inventário, para posteriormente elaborar as linhas de pesquisa e preservação em Arqueologia. Valha como exemplo, o fato que na listagem de sítios apresentados como ruínas, alguns tinham sido elencados, na década de 70 do século XX, pelo Inventário do Patrimônio Artístico e Cultural, como edifícios ainda em pé. Ou seja, este mapeamento permitiu registrar o acelerado processo de degradação e até mesmo de desaparição, pelo que passaram os bens edificados, nos últimos trinta anos, já classificados pelo IPAC.

Por último, quero chamar a atenção para um detalhe na listagem de sítios que foram inventariados que pode parecer insignificante, mas que me penso seja assaz sintomático. Observa-se a pouca representatividade dos sítios atribuídos a instalações indígenas, sejam estas pré-coloniais ou coloniais. Se consideramos as informações de documentos históricos em que fica explícita a existência de numerosos grupos nativos na região, além de ser o ambiente natural reconhecidamente com condições muito propícias para grupos sociais se instalarem, a identificação de apenas dois sítios indígenas provoca uma certa perplexidade.

No entanto, esta ausência pode ser justificada, não pela comprovação de inexistência de vestígios, mas pela própria escolha da abordagem metodológica do trabalho, em que se deixou nas mãos dos não especialistas a identificação dos sítios arqueológicos. A dificuldade dos moradores dos territórios municipais em entenderem o que é um sítio arqueológico indígena, pré-colonial ou não, manifesta, claramente, o estranhamento das populações contemporâneas com relação a esses locais e esses materiais. A meu ver, esta incapacidade de percepção deverá ser superada progressivamente pela própria proposta educativa do projeto de mapeamento. Por isto, só me resta desejar que ele aumente, se prolongue e se intensifique, mantendo as propostas de origem, porque acredito, sinceramente, que poderá provocar transformações substanciais não somente no cuidado e gestão dos bens arqueológicos, mas na própria percepção da condição existencial dos grupos sociais contemporâneos.

Carlos Etchevarne
Prof. Arqueologia FFCH/UFBA

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