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Comentários de Fernando Sá sobre o Testamento de Bartolomeu Gatto e Manoel Coelho Gatto

Fernando dos Santos Sá, sempre foi um amante da História de Maragogipe, ele buscou, assim como seu irmão por documentos que contassem um pouco da nossa história. Sabemos que Bartolomeu Gatto foi o primeiro donatário destas terras onde hoje estão localizada a cidade de Maragogipe, neste sentido, Fernando Sá fez alguns comentários no livro "Maragojipe no tempo e no espaço", publicado em 2000. Leia o escrito de Fernando Sá.



Eu, Bartolomeu Gatto, morador em Maragogipe, por esta doente em uma cama de doença que Deus me deu e não saber o dia e hora em que Deus, Nosso Senhor me será servido levar-me para se, ordeno e faço este meu testamento para discargo de minha consciência e pela maneira seguinte: Primeiramente encomendo a minha alma a Nosso Senhor Jesus Cristo que remiu com o seu próprio sangue na árvore da cruz, alíás da Vera Cruz e Virgem Nossa Senhora, Mãe de Deus e a todos os santos e ao bem aventurado São Bartolomeu de quem sou particular devoto, peçam sejam meus terceiros e advogados diante de Deus que me sejam perdoados meus pecados e me leve a sua Santa Glória para onde fui criado. Amém Jesus.

Pede que seu corpo fosse enterrado em uma capela de São Bartolomeu e vestido com o habito de São Francisco. Pedia aos legados, os seus bens seriam para o santo de sua devoção com capela perpétua que se estende de uma missa cada semana por minha alma. Seriam administradores da capela em primeiro lugar Isabel Nunes por toda vida e por morte dela o sobrinho Antônio Leal. Morrendo este substituía o filho ou a filha, ou parente mais chegado, com a condição de que este morresse no distrito de Maragogipe. Na falta de Antônio Leal antes de Isabel estaria do mesmo modo em vigor a determinação acima. Todas as terras que ele possuía doadas a S. Bartolomeu. Deixava a Maria Cabral, filha de Manuel Nunes Cabral, sobrinha de Isabel Nunes, 200$ para o seu casamento. Devia ele a Bartolomeu Rodrigues e a Catarina Lopes; estes 30 patacas, a Gaspar Lopes em Cachoeira. Julgava ainda estar devendo a Baltazar de Aragão e a Pedro Garcia. Deviam-lhe... Vieira a juros 100$, Manuel Nunes Cabral, capitão Sebastião, além de dinheiro, dezenove táboas a 5$ por dúzia. Ao padre capelão Pedro Paulo de Sampaio se estava devendo certa quantia de sua obrigação na capela. O padre Antônio Gonçalves, segundo testamenteiro do padre Matias de Borba, irmão de São Bartolomeu e que foi vigário de Conceição da Praia tinha um escrito de dívida de Diogo de Leão para cobrar. A quantia devida e mais outra que devia ser tirada da fazenda do testador, será doada a Margarida Castro e Maria Coelho, irmã dele. A esta cabia parte da quantia em virtude de uma demanda que deixou Felipe Vaz por sua morte, mulher que foi de Brás da Costa. A dádiva de Margarida seria feita no caso que ela se casasse e de modo contrário seria encorporada na capela de S. Bartolomeu. Francisco de Borba, irmão de testador e testamenteiro do outro irmão, padre Matias de Borba, lhe esta devendo e o pagamento devia ser feito com juros. Esta quantia seria cobrada pelo seu sobrinho padre Manoel Coelho era obrigado a cobrar as dívidas que ficaram no testamento de Matias, assim do contratador do uso ( ? ) das capelas de Antônio Muniz Botelho e das mais dívidas.

Não deixou filhos, nem herdeiros ascendentes. Todos os seus bens eram para a capela de S. Bartolomeu. Quer que Isabel Nunes e Antônio Leal sejam administradores de suas terras e que seriam seus testamenteiros. O documento termina assim: Por estar fraco roguei a Manoel Marques, escrivão destes limites de Peroassu me fizesse este meu testamento, em ambos assinados, em Maragogipe, hoje, dezesseis dias do mês de dezembro de 1650 anos. Bartolomeu Gatto, Manoel Marques. 

Seguia-se o seguinte: Saibam quantos esse público instrumento de aprovação de testamento virem que, no ano de nascimento de N. S. Jesus Cristo de mil e seiscentos e cinqüenta anos, neste limete de Peroassu, termo da cidade do Salvador, Bahia de Todos os Santos nas pousadas de Bartolomeu Gatto onde eu escrivão abaixo nomeado fui e aí doente de uma cama de doença que Deus lhe deu, com todo o seu perfeito juízo e entendimento, logo de sua mão a mão de mim escrivão, foi dado este papel escrito de sete bandas inteiras e o mais que acabou onde eu escrivão abaixo nomeado comecei esta aprovação, sem entrelinhas, nem borradura que dúvida faça, dizendo-me era o seu solene testamento que mandara escrever por mim escrivão e que por ele revoga todo e qualquer testamento ou codocilo que antes deste tenha feito e só este queria que tivesse força e vigor e pedia a justiça de S.M. Imperial até as Magestadores assim seculares, como eclesiasticas mandasse cumprir e guardar como nelas se contém e declara, e requeria a mim escrivão, aprovasse, porque todo conteúdo é declarado nela é sua vontade humana, e derradeira, e logo eu escrivão aprovei, e hei por aprovado tanto e quanto devo e posso, e assignou com as testemunhas que presente estavam a saber Belchior Aranha Coitinho, o padre Paulo de Sam Payo, Bartolomeu Rodrigues, Francisco de Borba, Francisco Lopes, Francisco da Fonseca, Antônio Vas, Domingos de Freitas. 

Logo após lê-se: Revogo este testamento e quero e hei por bem, digo Antônio Leal, seja minha mulher Izabel Nunes e o padre meu sobrinho Manoel Coelho Gatto vivendo, se Deus for servido, outro sim meu sobrinho Bento de Castro, irmão do padre vigário Manoel Coelho Gatto, um deles seja companheiro de minha mulher Isabel Nunes, que, entre todos três acomodarão para que um deles disporá no parente mais velho e chegado e havendo clérigo o será ainda que seja mais novo e assistirá na dita igreja de Sam Bartolomeu e assim virá sempre correndo pelo mais velho, não havendo clérigo aliás havendo o sempre o será por verdade fiz este assento de minha letra e signal, hoje vinte de outubro de mil seiscentos e cinquenta e um. Bartolomeu Gatto e fica a letra de minha mulher Izabel Nunes. Bartolomeu Gatto.

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Em 1701 o padre Inácio da Costa Peixoto pediu o translado do testamento do padre Manoel Coelho Gatto que se achava no cartório em uma causa que trouxe Francisco de Castro Coelho sob administração da capela de Maragogipe. Neste documento de 1679 se vê que o testamenteiro seria o padre Antônio Dias Coelho, o capitão Francisco Dias Sampaio e Francisco de Castro. Seria o seu sucessor na administração da capela o primeiro dos testamenteiros, e depois Francisco Castro e seus filhos passaria depois para Antônio Dias Coelho que era filho de Francisco Dias Lasso que teria o encargo de meia capela de missas pela alma de Felipe Vaz. Pedia aos seus testamenteiros pagassem seus dívidas. Eram sabedores de seus débitos. Manoel Dias na cidade e cá fora a João Martins e Antônio Queiroz, alfaiates, carpinas, ferreiros e sapateiros. Pedia, ainda, amparassem os seus sobrinhozinhos, filhos de Gonçalo de Menezes e os amparassem e quando pudesse desse alguma coisa a Antônio de Castro. O seu testamento mandaria dizer 200 missas pela sua alma, 60 do S. S. Sacramento, 60 a Virgem da Conceição, 50 a S. Bartolomeu e S. Gonçalo e 50 a S. Antônio.

Foram testemunhas da aprovação deste testamento Pedro Coadjutor, Domingos Nunes, o padre João da Cruz, Sebastião de Aguiar, Antônio Leal de Souza, Manoel Quaresma, Manoel Coelho da Silveira, Francisco da Fonseca e foi escrivão Felipe de San Tiago Ferreira da freguezia de S. Bartolomeu, tendo assinado e aprovados aqueles e ainda Manoel Coelho Gatto.

Logo após o documento que tiramos as notas acima, D. Maria Joaquina da Natividade, viúva de José da Silveira Gusmão, senhor administrador do Morgado ou Encapelado, dizia que passando a administração para a pessoa de sua primeira filha D. Maria Severiana da Silveira Gusmão queria que mandasse o Provedor lavrasse o termo de administração para que ela pudesse cumprir os encargos da mesma. Adeante a mesma senhora dizia haver Bartolomeu Gatto instituído em encapelado com obrigações e nomeando por administrador o filho ou filha, ou parente mais chegado, etc. E que ela passou a ser administradora do mesmo encapelado, morto seu marido pedia fosse por ela feita justificação do alegado. Foram ouvidas as testemunhas de justificação, Crispiniana Nery da Silva, capitão Francisco da Porciuncula, Manoel Gonçalves da Costa, José Rodrigues Coelho, Jerônimo da Silva Porto.

A mesma Senhora pediu em certidão em que seu marido se declarava legítimo administrador do Morgado ou encapelado e o qual consistia nas terras da mesma vila e d'uma légua de terras mais para o sertão e que falecendo passaria o encapelado à sua filha Maria Seviriana que era nomeada administradora. Dos filhos dele enquanto órfãos, seria tutora a sua mãe D. Maria Joaquina. Vê-se ainda o termo de administradora do encapelado, prometendo zelá-lo e cumprir os encargos pelos rendimentos dos ditos bens conta anualmente, desistindo de qualquer privilégio que possa isentar desta sua obrigação. Assinaram como testemunhas Jacinto José da Costa e o padre Inácio Aniceto de Souza. Segue um requerimento de D. Severiana da Silveira Martins, viúva do Dr. José Gonçalves Martins que era o administrador do encapelado e a qual podia tomar termo de administração o qual foi passado mais ou menos e nos mesmos termos do putro e foram testemunhas o padre Inácio Joaquim Peixoto e o vigário Antônio Euzébio Brandão. O advogado da referida senhora Francisco José Cordeiro declarou que os bens do morgado consistiam além das terras três escravos que foram desencaminhados pelo administrador Antônio José da Silveira. O encapelado tinha livros de contos. Nos documentos que folheamos encontramos várias certidões, entre as quais do vigário Gustavo Ferreira de celebração de missa por 2$ mandadas celebrar 50 missas no convento de S. Antonio do Paraguaçu, com a mesma intenção, custando cada missa $480 paga pelo capitão Jacinto José da Costa. No tempo, era visitador do convento Frei Bernadino de Sena Rego. Encontramos ainda, um auto de contas do encapelado.

Fonte: SÁ, Fernando dos Santos; Maragojipe no Tempo e no Espaço, 2000.

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